quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Matéria Planeta OffRoad sobre Teste no offroad do Renegade








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segunda-feira, 22 de junho de 2015

sábado, 13 de junho de 2015

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Transamazônica Challenge 2015 - Fase 03 Final

TAC 2015 - Finalização




Às 7:30 estávamos no café da manhã em Alter do Chão nos preparando para partir, cerca de 10:00hs já estávamos a 10km da hidroelétrica de Curuá, trocamos os pneus da Hilux pelos lameiros e um pneu BF KM2 da Frontier de Leandro que cortou. Quando estava saindo do borracheiro começou um barulho enorme e uma trepidação embaixo da Hilux, a borracha do rolamento de centro havia se soltado, desestabilizando a transmissão, Eduardo sugeriu que Irmão, seu Zequinha, travasse com um arame a borracha, pois já havia feito isso em um caminhão seu e prontamente o Irmão fez o serviço. Meio dia atravessamos a Hidroelétrica e começamos a estrada de terra, mas infelizmente alguns quilômetros a frente escutei uma pancada no meu carro e parei, algo havia quebrado e quando olho a lateral direita estava arriada, primeiro pensamento era que a base da Barra de Torção, que em 2012 havia partido em um choque com um tronco e tive que soldar, mas não era esse o problema e sim a base do estriado que segura a barra de torção na suspensão dianteira.

Agora era analisar o que fazer e tomar uma decisão rápida, juro que pensei em adiar a ida, voltar para Santarém e sair no dia seguinte, dois problemas em um curto espaço de tempo e levando em consideração que minha Hilux nunca havia quebrado em uma TAC apenas acidentes ou manutenção básica, mas também estava querendo ir embora, voltar para casa. Como o pneu, mesmo sendo grande, não havia batido na caixa de roda vimos que daria para rodar daquele jeito, o amortecedor da Ironman é que teria de suportar toda a paulada da estrada, e ainda tínhamos 140km de buracos pela frente, mas foi o jeito e para amenizar baixei a pressão dos pneus para menos de 20lbs.

Apesar de estar sem a barra de torção o amortecedor suportou muito bem os buracos, pauleira e lama e cameleões altos, mas estava tranquilo, tirando o fato da frente pular que nem carro rebaixado, tome coluna, já previa que a noite teria de tomar uns relaxantes musculares e afins.

A expectativa era de muita lama, mas confesso que no começo já estava achando que a coisa seria tranquila, nunca havia visto aquele terreno tão seco e assim se seguiu boa parte da trilha, somente na Madeireira do Donizete, que sempre tem os grandes atoleiros, estavam alguns atoladores, mas pé no porão e pneus bons deu conta dos atoladores, deu até para brincar e curtir o trajeto com belas fotos.

Quando estava a 80km de Uruará parei para dar carona a um senhor, Seu Carlos, que estava indo para Uruará levando uma peça do trator e ai muita conversa no trajeto, mas impressionante o quanto todo mundo com quem conversamos, do mais abonado ao mais simples, está revoltado com o governo e com todos os problemas que essa série de eventos catastróficos criado têm refletido na economia de uma forma geral, mas isso é um outro assunto que não cabe discutir aqui.

Eu gosto muito dessa estrada, TransUruará, são oito anos rodando nela, vendo o quanto muda a cada ano, mais devastação, novas fazendas, madeira sempre sendo extraída e o progresso chegando e desmatando. Gosto dos atoleiros, das serras íngremes e escorregadias, tudo bem que esse ano foi fraco em relação ao Off Road, 2013 e 2104 foram fantásticos, mas como o Seu Carlos disse, esse ano está chovendo muito espaçado, normalmente chove por uma semana e ai param três dias e mais uma semana de água, o que destrói toda estrada, esse ano chove um dia e passam três sem chover, então a água evapora e não consegue encharcar a estrada destruindo-a, bom para quem circula, ruim para quem quer aventura, mas é como a natureza quer!

No trajeto ainda demos mais uma carona a um rapaz que estava com o caminhão quebrado, já era noite, e a conversa era a mesma, o quanto esse governo está acabando com a economia, mas como disse antes, não é assunto para este texto. Chegamos a Uruará às 20:00hs e fomos direto jantar, dia corrido, cansativo, estressante, mas finalmente chegava o final da TAC 2015, para mim e Leandro que estamos a 45 dias longe de casa o cansaço tá grande e saudade maior ainda, hora de voltar. Para o pessoal do Maranhão final do trecho que participaram e uma amostra de como será no próximo ano, que garantiram vir com mais tempo. Dia seguinte revisar a Hilux e a Frontier, trocar a peça quebrada da Hilux e seguir para casa com a consciência do dever cumprido e com novas amizades no currículo e mais 10 mil km até o momento no odometro do carro e da vida.
Fim da TAC 2015... Dever cumprido!!!!

sábado, 4 de abril de 2015

TRANSAMAZÔNICA CHALLENGE 2015 TAC

TAC 2015 




Chegamos a Juruti e desembarcamos e no porto meu amigo Jeferson me esperava para poder levar o Alternador e verificar se o rolamento que haviam separado era o correto e fazer a troca. Fomos ao Hotel, reservamos os quartos e saímos para almoçar, nesse meio tempo o Sol foi diminuindo e ao retornar ao Hotel desmontamos o Alternador e Jeferson levou para o eletricista trocar os rolamentos.  Fiquei ali no hotel fazendo o relato e logo depois chega Magal, que é sempre nosso guia pelas estradas da região com a noticia de que somente um dos rolamentos serviu no alternador e que teria de ver no comercio na segunda-feira pela manhã.

Logo cedo fomos atrás do rolamento, infelizmente não encontramos e foi pedido de Santarém, chegaria somente às 19:00hs de lancha e ai aproveitamos o dia para arrumar os carros, comprar mais cerveja e carne para o percurso. Quando deu 20:30hs chegou meu alternador, fui montar com a ajuda de Leandro e Meia-foda e lá pelas 22:00hs começou uma tempestade na cidade, nada de internet, celulares e tv via satélite, a chuva era tão forte que impedia uma conexão via satélite satisfatória, mas trazia um bom presságio para um belo dia de trilha.

Partimos cedo, o dia estava amanhecendo e chegamos no posto, comprar gelo abastecer as motos de Magal e Jeferson, nossos guias pelo novo roteiro e partimos. Cerca de 15km depois de Juruti as luzes do painel da Hilux acenderam, alternador não estava gerando satisfatoriamente, segundo Magal o eletricista que trocou os rolamentos também trocara as escovas de grafite e eu sabia que as escovas genéricas tendem a travar, então esse era minha suspeita e ao invés de retornar resolvi na estrada mesmo tentar arrumar e desmontei o alternador foi quando percebi que uma das escovas havia partido o fio de contato e como tinha fonte de 220v e ferro de solda fiz a substituição por novas escovas de reserva e soldei os contatos. Algum tempo perdido e seguimos.

Mais 45km e chegamos na nova trilha, em pouco tempo estávamos enfrentando atoleiros e uma estrada extremamente escorregadia, foram belas horas de divertimento, inclusive parte dessa nova estrada eu já havia enfrentado em 2012, pois leva até a Galileia, uma comunidade no caminho para Parintins, que na verdade era nosso objetivo, mas como chovera muito e um rio que precisaríamos construir uma ponte estava muito largo desisti e deixei para fazer essa estrada em 2016 como sendo a grande aventura na selva para o próximo ano. 

O dia foi de muita lama, escorregando, quase atolando e em duas ocasiões Baiano atolou com o Troller, algo que não viria mais acontecer, afinal o pé agora era no fundo do acelerador. Mais alguns quilômetros de lama e o alternador da L200 de Meia-foda parou de gerar, famoso problema crônico das L200 e ai passamos novamente, como acontecera na BR 319, a rodar algum tempo e parar para recarregar a bateria da L200. Lembrei que quando fui consertar meu alternador na estrada Meia perguntou por que não comprei um de reserva, sendo sarcástico é logico, afinal esse é um problema das L200 e não da Hilux, embora a minha já está nos 400 mil km de estradas, aproveitei e fiz a mesma pergunta para ele, que fez uma carinha de cachorro triste, afinal estava rodando sem ar-condicionado, sem o freezer e sem som, uma verdadeira lastima. Pouco tempo depois a luz do painel da minha Hilux mostrou novamente haver problema com meu alternador, mas depois apagou. 

Continuamos rodando até o fim da tarde, curtindo aquela trilha nova e uma paisagem fantástica no meio da selva, e perto dás 17:00hs paramos em uma Madeireira, que no inverno para as atividades ficando apenas o pessoal de manutenção das maquinas e os que tomam contam dos galpões e nos ofereceram o local para utilizarmos a estrutura de banheiros e usar um galpão para colocarmos nossas barracas e passarmos a noite. Aproveitamos e fomos desmontar o alternador da L200, poderia ser que a lama tivesse impedindo de gerar, Leandro e Meia retiraram o alternador e fizeram uma limpeza, infelizmente esse modelo necessita de um retentor novo quando se abre e não pudemos fazer essa parte, caso contrario vazaria óleo do sistema posteriormente a montagem, no final não deu certo, somente em Itaituba iriamos resolver esse problema. 

Fizemos um churrasco, arrumamos as coisas e o cansaço nos venceu. Baiano dormiu na barraca de teto do seu Troller, Gustavo achando o galpão quente dormiu em sua barraca de chão e Eduardo também achara quente o galpão resolveu dormir na carroceria coberta de lona de um caminhão da madeireira, assim ficaria longe do chão e não se preocuparia com onças, embora alertei que iria chover de madrugada e ele teria de sair as pressas, dito e feito, mas sem antes às 0:00hs tomar um grande susto, foi quando chegou uma L200 na madeireira cheia de homens que vieram buscar uns equipamentos e parou de frente ao caminhão onde Eduardo dormia, no dia seguinte confessou que achava ser ladrões e que morreria ali mesmo, falei que se ele tivesse no galpão não seria o primeiro a morrer. Rsrsrsr!!! 

Voltando a nossa noite no galpão da Madeireira, cerca de 03:00hs começaram os relâmpagos fortes e muito trovões, preludio de uma bela madrugada de tempestade, nada como uma bela noite de trovões e relâmpagos para se dormir bem, afinal encobriria o ronco de Leandro, que nesse exato momento que escrevo está aqui roncando feito um porco, como diz o Matteo “serjon esse Liandro é doente!!!” rsrsrsrs!!! 

Choveu a madrugada inteira, o dia amanheceu e continuou a chover, começamos a nos movimentar para preparar o café e tome chuva, saímos mais de 10:00hs e ainda chovia um pouco. Partimos em direção a Itaituba, logo que liguei meu carro as luzes informavam que meu alternador não estava 100%, mas segui mesmo assim e a L200 de Meia tomando recarga a cada 1 hora de trajeto. Nos deparamos com muita água, a estrada de manejo estava com poças enormes devido a quantidade de água que caíram por horas e ainda pegamos uma arvore caída na estrada, mas o mesmo pessoal da L200 que assustara Eduardo estavam voltando para a Madeireira e já estavam finalizando o corte da arvore caída. 

Seguimos com Magal e Jeferson até a Aldeia dos índios Aracati e de lá nos despedimos, agora era seguir em frente para Itaituba, o caminho eu já conhecia de olhos fechados. Seguimos em frente, passamos pela madeireira que dormira no ano anterior, mas ainda era cedo e entramos no trecho de mata fechada pelos próximos 50 km até chegar a uma fazenda que nos anos anteriores havia conversado com seu proprietário, um Senhor de idade Guacho, gremista, que havia tomado posse da terra e estava organizando a pequena fazenda, como já era quase cinco da tarde e não poderíamos rodar a noite com o problema no alternador da L200 e o da Hilux sem gerar direito, resolvi pedir dormida ao fazendeiro, mas para minha surpresa o local parecia abandonado já algum tempo, mato crescido e sem vestígios de movimento ao redor da casa.

Como ainda teríamos dezenas de quilômetros de mata fechada, aquela casa seria uma ótima guarita para nossa noite, terraço grande que dava para armar as redes e colocar as barracas nos resguardando de chuvas e cobras e além de ser uma área desmatada em um perímetro que nos protegia da queda de uma grande arvore ao nosso redor, algo que teríamos problema na mata fechada, então decidi que iriamos acampar ali mesmo. 

Para nossa surpresa a casa parecia ter sido abandonada as pressas, ou então alguém que saiu e deixou tudo para trás, começamos a especular o que poderia ter acontecido, afinal estava tudo lá, saco de sementes, adubo, uma TV um som, cama feita, pratos para lavar, caixa d´água cheia, procuramos o gerador para ligar a bomba, mas o mato estava grande casa a baixo e pedi para que não fossem verificar, com receio de cobras. Pessoal começou a arrumar os cantos para dormida, armar rede e nesse meio tempo tirei meu alternador novamente e verifiquei que um dos carvões havia sumido, possivelmente arrebentou e foi digerido pelo alternador, como tinha guardado os que troquei no dia anterior substitui um deles e pronto alternador zerado novamente. Ai começou mais um churrasco com cerveja e muita conversa e uma delas era especulando o que acontecera com o velhinho gremista, muitas eram as possibilidades, desde uma doença que o fez partir sem levar nada, a um mal subido na mata e ali ficara, um ataque de onça e por ai vai, quem sabe no próximo ano descubro algo, ficou a incógnita do que acontecera. O grande problema desse dia foi conseguir dormir, afinal o terraço suspenso era pequeno e concentrou todos os roncadores no mesmo lugar, Leandro e Irmão, zequinha do Eduardo, disputava, quem roncava mais alto, além da flatulência comunitária, Baiano também resolveu entrar na disputa, além de Carlão, vulgo Zé Pequeno, mas de longe Leandro tomava a frente na disputa, e eu ali, na rede junto desses motores dois tempos desregulados, passava mais uma noite de pouco sono.

Não choveu nessa noite, mas o dia amanheceu bem agradável arriscaria dizer que fez até um clima bom para dormir, pena que a barulheira do ronco não contribuiu para um sono melhor, mas tudo bem faz parte da expedição e logo Baiano e Leandro estavam fazendo nosso café da manhã, aliás foi um dia especial, pois Baiano estava aniversariando e comemorando seus 50 anos de uma forma que ele queria muito, no meio da Amazônia. Bateria da L200 de Meia recarregada e partimos em direção a Itaituba, muita mata fechada ainda e depois o estradão escorregadio e cerca de 100km para chegar em  Itaituba, Meia enfiou o pé no acelerador, afinal no dia seguinte seria sexta-feira Santa e seria difícil consertar o alternador e após uns 40km de estrada cheia de buracos e erosões chegamos em Itaituba, pessoal  foi pro Hotel, Meia arrumar a L200 e eu fui trocar os pneus pelos de asfalto para seguir no dia seguinte até Alter do Chão. À noite nos reunimos no restaurante do Hotel Apiacás, onde sempre ficamos em Itaituba e comemoramos o aniversário de Baiano, depois todos nos quartos, cansados dos dois dias e meio de mata e nos prepararmos para partir no dia seguinte e nos despedir de Meia-foda e Carlão, pois na interseção da BR 163 eles retornariam para São José dos Quatro Marcos e nós continuaríamos para Alter do Chão. 

Na manhã seguinte aquela emoção de sempre ao me despedir do amigo Meia-foda, algumas amizades que fazemos na vida são realmente verdadeiras, essas amizades eu designo irmandade, então considero Meia um irmão. Carlão, ou Zé Pequeno, também é uma nova grande amizade, me despedindo e sentindo falta dos meus amigos. Pegamos a estrada para Alter do Chão, para minha surpresa muitos trechos asfaltados, o que fez render a viagem e outros ainda por fazer, mas com certeza aos poucos a 230 vai se vestindo, mesmo com asfalto de espessura ínfima ao que deveria ser feito, o que resultará brevemente em estrada esburacada, mas o governo do PT nos últimos oito anos têm realmente cuidado dessa estrada. 

Em determinado trecho tivemos que ajudar a puxar um caminhão baú atolado, parece que toda sexta-feira Santa fazemos essa boa ação, na verdade parceria é o que importa nessa estrada, muitos passam dias quebrados ou atolados esperando ajuda. Pegamos uns bons Kms de chuva e chegamos a Rurópolis no começo da tarde, uma parada para almoçar e seguimos para Alter do Chão por um atalho via Belterra, o que deixou o pessoal do Maranhão encantado com a cidade, afinal era uma verdadeira cidade americana no meio da região Amazônica. 

No caminho de Alter uma parada para um belíssimo pôr do Sol na beira do Tapajós, uma imagem fantástica registrada pelas câmeras e celulares, e agora como sinal de celular tem em tudo que é lugar em poucos segundo já estava na internet. Saímos logo depois em direção a Alter, faltando menos de 15km para chegar o pessoal do Maranhão, Eduardo, Baiano, Gustavo e Irmão recebem uma notícia estarrecedora, alguns amigos saíram de São Luis para fazer o percurso de Manaus pela BR 319 e retornar pela Transamazônica até em casa e estavam se comunicando através de mensagens e a informação era de que um dos amigos havia falecido em decorrência de afogamento no Rio Mata-mata, depois do Apuí – AM, foi um choque, principalmente para Eduardo, pois era amigo pessoal do que havia sofrido o afogamento e para piorar estava desaparecido a mais de três horas, além de que o filho adolescente presenciara o acidente, foi realmente um choque para todos, inclusive para nós, eu e Leandro, afinal estamos esses anos todos pela região e sabemos dos perigos que enfrentamos e do quanto devemos respeita-los. Chegamos a Alter tristes com o acontecido, Eduardo completamente transtornado, tanto que decidira que no dia seguinte iria partir de volta para casa.

Encontramo-nos no café da manhã, Eduardo havia decido aguardar, na noite anterior eu conversara com a pessoa que estava organizando a expedição dos Maranhenses e dado algumas informações sobre o retorno, possivelmente o grupo que está retornando nos encontrará em Uruará no domingo a noite. Fui até Santarém fazer alinhamento e cambagem da Hilux, o pessoal foi dar um passeio e nos encontramos novamente para almoçar na beira do Tapajós e organizar nossa saída, programada para domingo às 07:30hs, próximo destino TransUruará, que segundo o pessoal do jipe clube de Santarém está uma bela poça de lama e iremos nos divertir na última etapa da TAC2015. 


domingo, 29 de março de 2015

TAC 2015 - Rota 03

TAC Rota 03 – Manaus – Juruti


Agora é nossa reta final, após terminarmos a Rota 02, onde nos despedimos dos participantes dessa etapa e devido à necessidade de retornar para sua empresa em Brasília, nosso parceiro e amigo Marcão teve que nos deixar e aproveitou o retorno do Argentino Guilhermo e do Peruano Raul, desceu junto pela BR 319. Agora era aguardar a chegada dos dois carros de São Luis, um Troller (Baiano e Gustavo) e uma Savana (Eduardo e Irmão) e pegar nossa balsa para Juruti. 


Nossa balsa estava programada para sair dia 27 às 20:00hs e os carros seriam entregues no dia 20 pela Transportadora Goiás, o problema foi que dia 25 os carros ainda não haviam chegado e nem sabiam por onde estavam, então o estresse foi total porque dia 26 continuava a mesma posição. 

O pessoal de São Luis receberam a noticia de que os veículos estavam na Receita Federal e que existia uma fila enorme para despachar, pegaram um taxi e foram para o Porto onde estavam os carros, agora o estresse anterior deu lugar a um novo estresse, o descaso dos funcionários da transportadora e da Receita, foram horas e horas de espera, tive que pedir ajuda a alguns amigos para intervirem, inclusive um amigo, Martins, que atualmente mora em Recife e estava visitando os filhos em Manaus e foi ao Porto ajudar a desembarcar os veículos. Depois de superado esse problema dos veículos, nos deslocamos para o Porto do Cacau, onde iriamos pegar a balsa para Juruti. Para fechar o estresse do dia, ao chegar ao Porto descobri que o rolamento do meu alternador tinha ido pro espaço, ou seja, sem condições de tempo para resolver, até porque pela hora não iria conseguir uma loja aberta para poder comprar as peças e por hipótese alguma poderia perder aquela balsa, teria de tentar resolver esse problema em Juruti.

Após organizar as cargas e o espaço dos veículos começamos a montar nossa tenda central, onde montamos a cozinha e nosso local de farra. Partimos tarde de Manaus, já era quase meia-noite e um pedido especial a natureza, noites de céu limpo e dias nublados, assim nossa viagem seria mais agradável. Em pouco tempo chapa com carne, tira-gostos e cervejas sendo consumidas. Muita conversa fora e o grupo se interagindo. 

A noite foi longa, por últimos nos recolhemos eu, Meia-foda e Zé Pequeno, já eram 04:00hs e em pouco tempo o Sol nasceu. 09:00hs já estavam todos acordados, café da manhã e antes dás 11:00hs já tínhamos retornado os trabalhos etílicos e acendido a churrasqueira. O dia foi longo e a conversa também, alguns cochilaram à tarde, outros só nos trabalhos tomando água e assim foi nosso dia na balsa, que foi agraciado com uma bela tempestade por quase 1 hora, com ventos fortes e muita chuva e depois um belíssimo dia nublado. 


À noite o pessoal se recolheu cedo, afinal a farra longa, mas antes da meia-noite todos estavam dormindo. Uma noite tranquila, sem tempestades, apenas ao longe nas matas se via uma infinidade de tempestades de raios iluminando ao longe, como no Rio o campo de visão é vasto teve hora que não conseguia contar quantos raios via ao longo das margens e do horizonte, simplesmente um espetáculo da natureza.

O dia amanheceu e estávamos a pouca horas de Juruti, um café da manhã e começamos a desmontar nosso acampamento, guardar as barracas, organizar o lixo gerado, colocar as coisas nos carros e ao meio-dia estávamos perto de Juruti. Desembarcamos de 13:00hs, fomos a um hotel fazer as reservas, já que precisaria trocar o rolamento do alternador e não poderíamos partir para a mata. Fomos almoçar depois descansar para no dia seguinte comprar o rolamento do alternador e uma bateria para a L200 de Meia-foda e seguir para aventura em uma nova trilha de manejo, recém-aberta para Itaituba, na verdade o trecho que iremos enfrentar foi aberto a pouco tempo e será um grande desafio, já que somente caminhões e tratores grandes andam pelo trajeto. 


domingo, 22 de março de 2015

TAC 2015 - Fase 02 Serra do Sol

TAC 2015 Fase 02 – Manaus – Serra do Sol – Manaus

Às três da manhã estávamos todos nos acordando e nos preparando para começar mais uma aventura. Quatro da manhã e todos prontos, organizados e dispostos a pegar 1.000km de asfalto até Santa Helena na Venezuela.

Saímos do hotel e fomos para um posto comprar gelo e alguns entala-gato para consumir no trajeto e antes das cinco da manhã estávamos rodando em direção a Boa Vista. Estrada tranquila com um pouco de chuva em quase a maior parte do trajeto, porém quanto mais nos aproximávamos da linha do Equador o céu ia ficando limpo e o calor ficando forte, a paisagem seca e algumas vezes árida. 

Tudo ia tranquilo quando paramos em mais um posto no trajeto para abastecer a Caixa de Extrato de Tomate, apelido do Suzuki Vitara vermelho do Arthur, não podia ver um posto que já entrava para abastecer, depois de encher o tanque pela quinta vez depois de sair de Manaus saímos do posto, quando de repente escuto pelo rádio Evandro falando que a rodinha do Marcão tinha caído e a Ranger estava no acostamento, dei a volta e me deparei com o carro no acostamento e sem a roda traseira esquerda, Bruno já estava indo resgatar a roda em seu Troller e ai foi colocar a cabeça para funcionar e resolver a bronca, afinal era um domingo e realmente não teríamos como resolver o problema.

Cabeça fria e capacete de gelo! Só assim resolvemos as broncas. Ligamos para um amigo em Boa Vista, Fernando, e pedimos um reboque, além de tentar agilizar alguma coisa em relação à oficina e peças. Como Meia-foda já tinha ido ano passado para Serra do Sol e faz parte da equipe de apoio, designei para que levasse o grupo até Santa Helena enquanto eu seguia com Marcão, Evandro e Leandro para Boa Vista resolver a bronca do carro. 

Na segunda-feira começou nossa correria para consertar a Ranger do Marcão, peça de carro é algo complicado, algumas só levando a peça para ver se casa, existe uma série de fornecedores do mesmo tipo de peça, mas ai que tá o problema, sempre existe uma diferença de medida e ai é um martírio conseguir a certa, na verdade não conseguimos, apenas uma aproximada e ai um trabalho de tornearia do nosso amigo em Boa Vista Fred, especialista em tornearia, para poder encaixar no local do modelo anterior. Nesse meio tempo fizemos uma revisão na Frontier, pois verificamos que havia um probleminha na barra de direção e na Hilux aproveitei para trocar duas cruzetas traseiras.

Durante o dia decidimos que Marcão iria deixar a Ranger em Boa Vista e seguir com Leandro para Serra do Sol, uma vez que ambos estavam sem Zequinhas, então seguimos para Santa Helena no fim do dia para encontrar o grupo. Pegamos estrada já era noite em Boa Vista e terminamos chegando tarde a fronteira, que fecha às 21:30hs e terminamos dormindo 20km antes do grupo e aproveitamos para trocar os pneus da Hilux.

A fronteira abriu às 07:30hs e seguimos para Santa Helena e encontramos o grupo no Hotel Anaconda, foi quando tive uma noticia chata, o pessoal saiu no fim do dia para providenciar alguns suprimentos e ao retornar viram uns caras saindo correndo para um Cheroka e partindo em velocidade, ficaram desconfiado e foram ver os carros, foi quando descobriram que haviam furtado a barra de super-led da Hilux do Raul e certamente teriam levado outros acessórios se não tivessem chegado. O pessoal chamou a policia, registraram o ocorrido, mas no final ficou o prejuízo, uma barra dessa custa na faixa de R$ 2.000,00 e a certeza que os veículos não estão protegidos no Hotel Anaconda e que existem perigos na cidade.

Tudo resolvido e partimos para Serra do Sol, passamos pelas barreiras da policia venezuelana sem nenhum problema e chegamos ao acesso à estrada que nos levaria até Serra do Sol. Como sempre uma oração com o grupo de mãos dadas, algumas informações e partimos, a cerca de 400mts da Ladeira do Raul, antes de entrar na primeira matinha, minha Hilux começou a sair fumaça de fio queimado pelo ar-condicionado e parei imediatamente, desligamos a bateria e fomos atrás do motivo do curto que havia gerado aquela fumaça e descobri ser do comando do relê de um dos faróis extras, o fio positivo estava em contato com metal que cortou e gerou o curto, retirado o problema ai começamos a nos deslocar. 

Chegamos a Ladeira do Raul, aquela tensão, subi meu carro e  logo depois veio Raul a pé conversar comigo, me questionar se queria que eu colocasse a cinta e assegurasse assim a impossibilidade de vir a virar ou se lhe daria a chance de tentar novamente em sua Hilux. Logicamente que concordei que ele deveria tentar, afinal existia um trauma naquele lugar e seria necessário exorciza-lo e foi aquela festa assim que o Raul subiu, afinal ano passado ele capotara com seu Wrangler na mesma ladeira, finalizando assim sua aventura, mas como ele disse, perdeu o trauma e estava feliz, sim, eu também estava por ele e pelo sofrimento que foi ano passado presenciar o que aconteceu. Logo depois veio Leandro, subiu tranquilo, mas infelizmente o sistema de roda livre da Frontier é frágil e não aguentou o tranco do final da ladeira e quebrou, na verdade estourou o cubo completamente, subi o restante do pessoal e deixei Meia-foda sem subir, pois tinha que tomar algumas decisões.

Já estávamos sem o carro de Marcão e agora a Frontier, ambos carro de apoio, decidi que deveriam voltar em Santa Helena, Leandro, Meia-foda e Evandro e procurar a peça ou tentar ver uma solução, montamos acampamento, fiz uma carne picada e uns bifes na chapa, pessoal bebendo um pouco e aguardando o desenrolar do acontecido.

Já era cerca de 21:00hs quando o pessoal retornou de Santa Helena, Meia-foda, Leandro e Evandro dentro da L200, tinha pedido a Meia-foda que caso não consertasse a Frontier de Leandro não o deixasse voltar para Boa Vista e sim trouxesse ele que arrumaríamos um jeito de dividir as coisas e levar todos. Leandro estava depressivo, afinal não era para menos há dois anos que preparava seu carro para TAC, mas infelizmente Nissan não é um veículo muito comum na Venezuela e por isso não tinha a peça e retornar até Boa Vista iria atrasar muito a expedição, mas companheirismo é isso e com dois carros a menos, Ranger e Frontier e com algumas coisas para trás, mas os companheiros não, todos juntos e seguimos.

A noite foi longa, roncos e barulhos estranhos provenientes das barracas, como sempre uma sinfonia de assustar onça, embora aqui não tenhamos esse problema. A noite foi fria, às vezes o céu nublado, às vezes tão estrelado que dava vontade de que o Sol nunca mais saísse, a paz da noite só era interrompida pelos roncos estridentes, além de Leandro, Willy não fazia mais parte desse grupo, mas entrou o Zé Pequeno, 1,92 e 130kg de puro ronco e ainda um dos Cariocas que não fez feio na concorrência, Fabiano é bruto no ronco. Não estou exagerando, escutando pink Floyd no meu iPod ainda conseguia escutar algumas notas altas, como diz Matteo, esse pessoal é doente!!!

Acordamos cedo, acampamento é assim mesmo, oito da manhã todos prontos para partir e na primeira subida a L200 mostrou que estava pesada, transferi três bombonas de Diesel para minha Hilux, esvaziamos uma bombona de água e aliviou o peso da L200, e de contrapartida colocamos um nome naquela subida, Subida do Meia-Embreagem, já o Vitarinha vermelho, caixinha de tomate do Arthur, teve um probleminha, caíram os parafusos da pinça de freio, em pouco tempo foi resolvido e começamos nosso trajeto em direção a Serra do Sol. 

Raul estava muito feliz, afinal no ano anterior havia se acidentado e não conseguiu vivenciar toda a aventura, ficava maravilhado com o trajeto e com uma confiança cada vez maior em seu novo carro, afinal para quem possui nove veículos da marca Jeep e este era seu primeiro veículo Japonês, brincou dizendo que os amigos já o estavam excluindo do clube de Jeep do Peru. O pessoal do Rio estava acostumado com trilha de erosão e subidas, então estavam safo no trajeto, aproveitando bem a paisagem e colocando os Vitarinhas para moer. Os argentinos estavam eufóricos com toda a adrenalina do trajeto e com uma paisagem única, Guilhermo repetia que a expedição valia cada centavo e que estava encantado, olha que ainda tem muita coisa pela frente.

Para quem conhece o trajeto sabe o quanto é show andar aqui, erosões, subidas íngremes, descidas mais ainda, uma verdadeira aventura off road, para os novatos nesse tipo de terreno em muitos momentos o corpo treme de medo com o trajeto, para os veteranos, uma grande oportunidade de brincar com seus carros. Às 15:00hs chegamos na cachoeira do K e fomos curtir um banho de primeira e lá pelas 16:00hs subimos a cachoeira e montamos nosso acampamento a 20mts da beirada da queda da cachoeira, som da água caindo, vento frio e começamos mais uma noite de churrasco e muita conversa fiada. A noite fez frio, eu e Marcão dormimos de rede, amarradas entre a Hilux e a L200, como estavam praticamente uma colada na outra dividimos o edredom pra aguentar o frio, acho que não precisava ter comentado isso!

O dia amanheceu e começaram os trabalhos para organizar os carros, desarrumar as barracas, comer alguma coisa e partir, mas antes uma prece de frente à pequena capelinha de pedra que construíram há alguns dias, certamente algum venezuelano crente em Santa Maria fez aquela capela e colocou a imagem da Santa. Pela frente iriamos pegar alguns trechos travados, como a decida da pedreira a passagem do rio, além dos trechos perigosos como a ladeira do Japonês, particularmente considero o trecho mais perigoso dessa trilha, inclinação absurda e erosões que viram um carro e uma queda com mais de 50 metros de altura. Fomos aos poucos transpondo os obstáculos e curtindo uma paisagem única, que encanta a todos que vivenciam essa trilha. 

Cerca de 15:00hs chegamos na Tapera, que será nosso acampamento base nesses dias, descarregamos os carros, deixando-os mais leves e fomos tirar fotos dos veículos na Serra do Sol, ou até onde eles conseguem subir. A vista é deslumbrante de toda a Gran Sabana Venezuelana, da Serra do Sol e do Monte Roraima, só indo lá para ter ideia do que estou escrevendo. Ficamos um bom tempo contemplando toda àquela maravilhosa obra de arte da natureza. 

Voltamos para o acampamento, banho na cachoeira, preparação do farnel e conversa fiada entre todos do grupo e o frio começou a bater, pessoal começou a se deslocar para suas barracas, agora bem afastadas umas das outras, o que facilitou o sono de alguns devido a distancia dos roncos. Mais uma vez eu e Marcão nas redes, mas não próximos dessa vez, a madrugada nos castigou com frio, o pessoal nas barracas fechadas reclamaram, imagina na rede, pior que às 02:30hs começou uma chuva de vento, preguiça de montar a barraca peguei uma lona de plástico e cobri minha rede, Marcão mudou a dele de lugar e fugiu da chuva, deu pra bater queixo, só não foi pior porque fiquei com o edredom e Marcão estava de casaco de frio, mas ainda prefiro o frio, o calor pra dormir é pior!

O dia amanheceu bonito, o Monte Roraima estava descoberto, algo meio raro, tomamos café da manhã e pegamos nossos carros em direção ao Mirante do Monte Roraima, cerca de 13km de nosso acampamento, no meio de serras, subidas e descidas íngremes e cascalhadas e passagens estreitas de igarapés, uma belíssima trilha para o começo do dia, demoramos um pouco para achar a entrada da trilha, a descida de uma serra para um vale, afinal já havia alguns anos que não se passavam por esse caminho, mais um belíssimo trajeto que vale a pena  conhecer. 

No mirante tiramos fotos do grupo, dos carros, apreciamos aquela paisagem belíssima, como todas na trilha de Serra do Sol. Depois de alguns minutos iniciamos o retorno da trilha do Mirante do Monte Roraima e seguimos para a Cachoeira da Revista, para a famosa foto dos carros na parte superior da cachoeira. 

Ficamos um bom tempo, todos tomando banho na cachoeira, alguns escalando, outros bebendo e conversando e claro aproveitando o visual daquele lugar, foram ótimas horas de descontração. Aproveitamos o fim da tarde e fomos ver as lapides, formações rochosas que lembram lapides de cemitério, mais uma obra de arte da natureza. Pessoal cansado do dia e retornamos para o acampamento, organizar o lixo, recolocar o que havíamos retirado dos carros e deixando tudo preparado para poder partir no dia seguinte de volta a Santa Helena.

Meu planejamento era acampar novamente no Salto K, mas o pessoal do Rio e o Bruno de Mossoró estavam com uma transportadora em Boa Vista aguardando os carros para despacharem, então observei o andar do retorno para ver a possibilidade de seguir para Santa Helena direto.

Toda trilha na ida é mais travada, no retorno ela flui, ainda mais uma trilha com Serra do Sol, como na ida os que não conhecem o trajeto ficam deslumbrados e ao mesmo tempo tensos o andar é mais travado, já no retorno é bem mais rápido e quando vi já estávamos no Salto K e era cedo, cerca de 14:00hs e certamente chegaríamos até Santa Helena com luz do dia e resolvi seguir ao invés de acampar, para alegria dos cariocas, principalmente o Chico e tristeza dos Argentinos que adorariam acampar ali novamente. 

Subimos a Ladeira do Índio, outro desafio bem assustador para quem tem medo de altura e inclinações radicais, mas o pessoal já estava mais safo e tudo foi fluindo até a passagem de uma matinha onde um tronco preso no chão atrapalhou nosso dia perfeito.

Visualizei o tronco do lado esquerdo e avisei pelo rádio, inclusive com repetição em portunhol para Raul entender, mas infelizmente ele bateu com tudo e todo peso de sua Hilux no pequeno tronco e como consequência empenou a manga de eixo, braço de direção e abriu a roda ao tentar rodar até sair da matinha a caixa de direção foi pro espaço. Ai entra em ação nosso mecânico para Off Road e fria automotiva, Evandro Maia, mais tarimbado em 4x4 que qualquer outro meca, e ai conseguiu dar um jeitinho de voltar um pouco a roda e isolar a bomba do hidráulico para não ir pro saco de lixo também.

Mas ai a noitinha chegou, embora cedo, finalizamos o trajeto a noite, confesso que adoro fazer Off Road a noite, tenho me policiado para evitar, pessoal fica tenso e reclama um pouco, mas que eu gosto eu gosto, não vou mentir, e andar naquelas serras a noite é tudo de bom, além de ser belíssimo ver o comboio com os faróis iluminando o chão, o céu e as serras. 

Chegamos a Santa Helena e fomos jantar primeiro, depois acomodações, não deu pro grupo ficar em um único hotel, era fim de semana e muitos brasileiros vão fazer compras na cidade, mas dividimos o grupo em três hotéis e marcamos de nos despedir no dia seguinte, afinal estava finalizada a segunda fase da TAC 2015. 

No dia seguinte todos na pracinha para se despedirem, os cariocas e Bruno seguiriam para Boa Vista pegar um avião para Manaus e deixar seus carros na transportadora, eu iria com Raul ficar em Boa Vista para resolver o problema do carro dele, Marcão também para pegar seu carro e dia 23 a noite todos nos encontramos novamente em Manaus para mais uma despedida e quem ficou seguir para a Fase 03.

Considerações

Serra do Sol foi um trajeto que entrou no roteiro da TAC, embora não tenhamos lama, atoleiros e afins, que alguns definem como sendo a alma da TAC, mas eu defino como Alma da TAC a aventura Off Road em sim e Serra do Sol, como definimos esses trajeto pela Venezuela, é aventura pura, com mais adrenalina que muito trajetos anteriores da TAC, pois em vários momentos você põe em risco sua vida, e a confiança em seu equipamento tem de ser perfeita, afinal quebrar no meio da Serra do Sol é simplesmente um pesadelo inesquecível. 

Para quem não está acostumado com esse tipo de terreno é um grande aprendizado, você percebe nitidamente a evolução de quem está enfrentando pela primeira vez aquela situação de erosões e subidas íngremes, para os que já estão acostumados o importante é preservarem seus equipamentos, afinal embora estejam adaptados as trilhas desse nível, mas estas estão próximas de locais e  vias de socorro, bem diferente de quem está na Gran Sabana, então também é mais um aprendizado. 

Eu sou apaixonado por essa trilha, seja pelo desafio dela aos veículos e condutores ou o perigo que ela impõe para os que não a respeitam, mas principalmente pela beleza da paisagem desse trajeto, estar por quilômetros andando nas cristas das montanhas, subidas e descidas belíssimas e desafiadoras é realmente deslumbrante a passagem dessa trilha, além do fato de acampar no meio do nada com noites frias e estreladas, simplesmente é fantástico estar naquele lugar. 

Como esse ano o grupo foi pequeno, em comparação ao ano anterior, como disse dividi a TAC em três fases reduzindo assim a quantidade de participante por fase e dando a oportunidade de curtirem aquilo que mais apreciam, mas voltando ao grupo, tudo foi perfeito, todos os grupos eram participativos e brincalhões, todos interagiram perfeitamente e fizeram do trajeto um divertimento com conversas e zoeiras no rádio, todos estão de parabéns, entenderam como funciona a TAC e como funciona o trajeto de Serra do Sol, tudo foi perfeito, só tenho elogios ao grupo todo. 

quinta-feira, 12 de março de 2015

TAC 2015 - Transamazônica Challenge Fase 01

TAC 2015 - Fase 01 

Humaitá – Manaus

No sábado começamos a nos organizar para partir em direção a Manaus pela BR 319, estávamos esperando Guilhermo e Ricardo, argentinos que irão participar da Fase 02 (Serra do Sol), chegarem e partirmos. 

Logo cedo Sávio me chama informando que seu Troller, modelo novo com 8.400km, só engatava a Ré e o neutro e mesmo assim com dificuldade. Reboquei até a Sana, oficina em Humaitá que cuida de nossas viaturas, quando Mike, mecânico da oficina viu disse que nem sabia para onde ia, afinal era um modelo novo e nunca vira antes, começamos a organizar para chamar a seguradora e Sávio e seu zequinha, que ficou apelidado de “chupa cabra”, seguissem  em nossos carros e depois retornariam de avião, nesse meio tempo Sávio ligou para a autorizada Troller em BH, onde comprou seu carro e o chefe da oficina orientou retirar o painel do câmbio e verificar o trambulador. Quando abrimos verifiquei que o local do trambulador e da haste das marchas era uma piscina de lama seca, então observei que a haste não fazia os movimentos, limpamos o local e pronto, as marchas começaram a engatar, resumindo, um erro de projeto do Novo Troller, a lama que vai por baixo se acumula nessa piscina, endurece e pronto, temos um veículo sem poder passar marchas, esse era o segundo problema do Troller, visto que na ida a Lábrea o amortecedor de direção arrebentou e tivemos que retirar fora, além de que quando se buscou peças de reposição básicas como pastilhas de freio, correias, bieletas e buchas a autorizada não dispunha de absolutamente nenhuma delas para venda, e olha que foram vistos em vários concessionários da marca, fora isso o Novo Troller estava com excelente desenvoltura no Off Road. 

As horas foram passando, fechamos a conta no Hotel Correa e seguimos para a churrascaria almoçar, 16:00hs e nada dos Argentinos, voltamos para o Hotel, demos entrada novamente e meia hora depois os argentinos chegaram, segundo eles haviam sido colocados para fora da estrada três vezes por carretas e o transito estava intenso na estrada para Porto Velho, agora já era tarde, assamos carne e tomamos cerva para no dia seguinte pegar a 319.

Saindo para Manaus

Colocar o pessoal cedo para sair é sempre uma complicação, sempre existe atraso, eu trabalho com a folga de tempo, mas às vezes confesso que me estresso com isso, pior quando o atraso vem da equipe de apoio. Sai do Hotel cinco minutos depois do que estipulei, depois fomos ao posto, alguns precisavam comprar gelo e 07:30hs pegamos rumo da 319, meia hora atrasados, para desespero de Matteo, que com sua pontualidade fica nervoso com o atraso das pessoas.

Após nossa oração matinal pelo rádio começamos a gerar expectativas quanto ao caminho, pessoal buscando atoladores, mas nem sabiam o que teriam pela frente, nós da organização conhecemos de cabo a rabo aquela estrada, sabemos que algumas coisas podem mudar de uma chuva para outra e que as noticias eram de que a estrada estava boa, o que se mostrou verdade, pelo menos no começo,  mas a paisagem para quem já andou pelo 319 é única, imagine para quem está indo pela primeira vez. Até a Realidade, pequeno povoado, que a cada ano cresce mais e mais, foram 100km de tranquilidade, poucos buracos e muita conversa boa no rádio e expectativas em geral e muitas fotos da paisagem.

Depois da realidade encontramos alguns trechos lentos, buracos e também alguns atoladores, nessa Marcão inaugurou o dia e atolou, tiramos maior sarro com Marcão. Às 17:00hs paramos para acampar em uma das torres da Embratel ao longo do caminho da 319, parei cedo para poder organizar melhor o acampamento, já que normalmente só parava ao anoitecer o que comprometia um pouco a curtição do momento devido a fadiga do trajeto. Nesse dia foram 220km percorridos.

Embora tenhamos parado cedo à maioria estava com fome, já que não tivemos uma pausa para o almoço e por isso correram para armar suas tendas e barracas e fazerem sua janta, nesse meio tempo Eu e Meia-foda preparávamos o farnel da organização e de quem chegasse para se juntar ao churrasco. Uma macarronada com uma panelada de contra filé e frango foram a entrada, seguido de um churrascão de primeira com muita cerveja e pinga, noite a dentro de muita conversa, céu estrelado e muita emoção por partes dos que estavam pela primeira vez em suas vidas vivenciando uma experiência como aquela.

A noite foi longa na resenha de muitas histórias e musicas para acompanhar até que o cansaço derrubou o ultimo dos resistentes, então o som da euforia deu lugar aos sons da mata e dos trovões que anunciavam uma grande chuva se aproximando. Raios e trovões por algumas horas fizeram daquela noite um dia perfeito de acampamento, ao som de Simon e Garfunkel em meu iPod observava de minha rede o que me motivou a estar novamente aqui, vivenciar toda essa maravilha e fazer novas e grande amizades. 

A chuva passou, e o som que se escutava agora era a sinfonia dos roncos, alguns batiam recordes de decibéis, o dia amanheceu e como em um formigueiro iniciou o frenesi do acampamento, desmonta barraca, arruma carro, prepara o café da manhã, fotos, conversas, água fervendo, cuscuz com charque na turma do nordeste, filado pelos Argentinos, comida Peruana na barraca do Raul e Jessika, Macarrão pronto no pessoal do Rio, como dizia Marcão, o Edson (apelidado de Vovô Carioca), estava matando sua prole e seu amigo João com comida pronta.

Tudo pronto, carros arrumados, Torre limpa, lixo recolhido e simbora! Vamos seguir rumo aos próximos obstáculos. Ai começa uma sucessão de buracos, estrada acabada, mais muito bonita, deslumbrando quem passava ali pela primeira vez, ai tivemos alguns trechos com lama, atolada de Marcão novamente, Troller do Sávio e os Argentinos na Hilux e a estrada nada de render, além de perdermos um tempo desatolando, o pneu estepe da Triton de Jalisson se soltou do suporte no meio de um atoleiro, assim chegamos a uma torre cerca de 17:20hs, iria entrar pela noite, só tínhamos rodado 100km, ou seja, tínhamos ainda uns 250km até o asfalto de verdade. 

Então resolvemos acampar nessa torre, seria nossa segunda noite acampada, além disso, tínhamos a L200 de Meia-foda sem alternador, fim de bateria e morreu, então seria ali mesmo nosso pouso da noite. Para nossa sorte a torre estava habitada com dois funcionários da empresa de manutenção que nos receberam muito bem, com a vantagem de ter um poço com bomba para nos banharmos melhor e poder lavar o alternador da L200 e quem sabe assim voltava a funcionar. Fornecemos diesel e o gerador da iluminação ficou ligado até às 22:00hs.

A noite foi de mais um churrascão, carvão estava húmido, então após fazer minha panelada com Macarrão italiano fornecido pelo Matteo e Fred e misturado com meu picado especial de carne, fui assando as carnes na chapa do nosso fogão portátil. Cerveja, Campari, Pinga boa e pessoal se recolheu cedo, afinal cinco da manhã era o despertar para poder fazer o dia render.

Acordei de madrugada para urinar, passei pela tenda onde estavam Leandro, Willy e Meia-foda na rede e me perguntei como Meia aguentava aquela dupla de motores desregulados, Leandro e Willy, mais tarde soube que ele não aguentou e no meio da madruga acordou e montou sua barraca, encheu seu colchão e foi tentar dormir longe. As cinco da manha começou a movimentação do pessoal, Willy e Leandro roncavam como doentes, fizemos até filmagem, sinceramente não sei como é possível eles próprios dormirem com tamanha barulheira, às vezes quem está escutando pensa que estão morrendo, algo fora do comum, pelo menos espanta as onças.  

Movimento intenso, todos prontos para sair e dei uma carga na bateria da L200, uma entre várias no caminho até Manaus. Pegamos estrada, estávamos a 110km do Igapoaçu, 110 km de muitos, muitos buracos, alguns atoleiros e muitas pontes destruídas, oferecendo bastante perigo nas travessias. Marcão foi desafiado pelo Edson Bailune em sua Full e terminou atolando, foi uma zona só! Estrada cansativa, alguns atoleiros básicos, mas os buracos foram exaurindo nossas forças, cansaço e graças às preces estava nublado, pelo menos reduzia a sensação térmica dentro dos carros. E as horas foram passando e finalmente chegamos ao Igapoaçu, pegamos a balsa, reabastecemos os veículos com o diesel extra que levamos e seguimos para o Castanho, 150km de estrada boa, mesmo o trecho sem asfalto, como não choveu esses dias estava uma piçarra compactada, ai os veículos renderam a foram aos poucos se aproximando do Castanho. Uma pena, pois esse trecho com chuva é sempre de grande atoleiros e nos diverte. 

Na saída da balsa Matteo seguiu na frente, tinha uns compromissos em Manaus, inclusive trocar o parabrisa explodido pelo Leandro Osaminha, demais seguimos em comboio com a intenção de dormir no Castanho e na manhã seguinte lavar os carros para depois pegar a balsa em direção a Manaus. 

Todos acordaram cedo e foram lavar suas viaturas, tirar a lama, dar uma organizada, afinal os veículos que iriam continuar na Fase 02 precisavam ir para a oficina revisar e os que iriam embora serem deixados nas transportadoras. Saímos do Castanho cerca de meio-dia e o grupo se dividiu em duas balsas para Manaus, a de 14:00hs e a de 14:15hs, estava assim oficialmente finalizada a Fase 01 da TAC 2015.

Quando resolvi dividir este ano a TAC em três fases estava buscando oferecer três configurações diferentes como opção de Expedição, assim quem curte mais lama não precisaria enfrentar 30 dias ou mais de expedição, quem curte mais desafios de altura e erosões idem e quem quer curtir mata fechada e abertura de estradas também, ou seja, além de reduzir o tempo de uma forma geral para os que participam, reduziria assim o número de veículos por trecho, o que facilita e muito o deslocamento e a logística, e também a redução dos custos de quem participa. Não sei ainda como será até a finalização da TAC 2015, mas para a primeira fase foi acima do esperado, com a fluidez do grupo, evitando a fadiga dos participantes, já que para nós que estamos acostumados há passar mais tempo nesse ritmo é apenas mais uma grande aventura. Não sei se foi o grupo em si que era show, todos companheiros, brincalhões, sem frescuras e por ai vai, que fez com que não tivéssemos nenhum conflito, algo normal nessas expedições ao longo do percurso longo, ou essa formula de reduzir o tempo para os que participam, só sei que a Fase 01 foi perfeita, talvez faltado um pouco de lama em Lábrea, mas ninguém manda na natureza, mas com certeza foi proporcionado a todos visuais fantásticos, risos a mil e experiências únicas, resumindo, com a ajuda de Deus e de todos tudo ocorreu perfeitamente bem, sem nenhum incidente. Agradeço a todos os participantes por dias fantásticos e já com saudade de todos. Ano que vem, quem sabe reencontro essa turma. Obrigado amigos: Sávio e Reinaldo; Fred e Filipe; Edson e João; Jalisson e Galindo; Matteo e Carlo; Willy e Valdir, Zequinhas da organização que trabalharam com afinco e ajudaram muito, um agradecimento especial a Willy que estava sempre presente para ajudar os carros atolados ou avariados e a Valdir por além de ajudar estar sempre registrando tudo e fazendo seus comentários hilários para nos divertir, essa dupla foi show!!!

E vamos em frente para a Fase 02 com: Raul e Jessika; Guilhermo e Ricardo; os novos integrantes que estão chegando e claro nossa turma de sempre: Matheus (Meia-foda), Leandro e Marcão. Simbora que dia 15 caminhamos para Serra do Sol, Vamos que Vamos!!!

TRANSAMAZÔNICA CHALLENGE 2011

Correio Técnico...

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