domingo, 22 de março de 2015

TAC 2015 - Fase 02 Serra do Sol

TAC 2015 Fase 02 – Manaus – Serra do Sol – Manaus

Às três da manhã estávamos todos nos acordando e nos preparando para começar mais uma aventura. Quatro da manhã e todos prontos, organizados e dispostos a pegar 1.000km de asfalto até Santa Helena na Venezuela.

Saímos do hotel e fomos para um posto comprar gelo e alguns entala-gato para consumir no trajeto e antes das cinco da manhã estávamos rodando em direção a Boa Vista. Estrada tranquila com um pouco de chuva em quase a maior parte do trajeto, porém quanto mais nos aproximávamos da linha do Equador o céu ia ficando limpo e o calor ficando forte, a paisagem seca e algumas vezes árida. 

Tudo ia tranquilo quando paramos em mais um posto no trajeto para abastecer a Caixa de Extrato de Tomate, apelido do Suzuki Vitara vermelho do Arthur, não podia ver um posto que já entrava para abastecer, depois de encher o tanque pela quinta vez depois de sair de Manaus saímos do posto, quando de repente escuto pelo rádio Evandro falando que a rodinha do Marcão tinha caído e a Ranger estava no acostamento, dei a volta e me deparei com o carro no acostamento e sem a roda traseira esquerda, Bruno já estava indo resgatar a roda em seu Troller e ai foi colocar a cabeça para funcionar e resolver a bronca, afinal era um domingo e realmente não teríamos como resolver o problema.

Cabeça fria e capacete de gelo! Só assim resolvemos as broncas. Ligamos para um amigo em Boa Vista, Fernando, e pedimos um reboque, além de tentar agilizar alguma coisa em relação à oficina e peças. Como Meia-foda já tinha ido ano passado para Serra do Sol e faz parte da equipe de apoio, designei para que levasse o grupo até Santa Helena enquanto eu seguia com Marcão, Evandro e Leandro para Boa Vista resolver a bronca do carro. 

Na segunda-feira começou nossa correria para consertar a Ranger do Marcão, peça de carro é algo complicado, algumas só levando a peça para ver se casa, existe uma série de fornecedores do mesmo tipo de peça, mas ai que tá o problema, sempre existe uma diferença de medida e ai é um martírio conseguir a certa, na verdade não conseguimos, apenas uma aproximada e ai um trabalho de tornearia do nosso amigo em Boa Vista Fred, especialista em tornearia, para poder encaixar no local do modelo anterior. Nesse meio tempo fizemos uma revisão na Frontier, pois verificamos que havia um probleminha na barra de direção e na Hilux aproveitei para trocar duas cruzetas traseiras.

Durante o dia decidimos que Marcão iria deixar a Ranger em Boa Vista e seguir com Leandro para Serra do Sol, uma vez que ambos estavam sem Zequinhas, então seguimos para Santa Helena no fim do dia para encontrar o grupo. Pegamos estrada já era noite em Boa Vista e terminamos chegando tarde a fronteira, que fecha às 21:30hs e terminamos dormindo 20km antes do grupo e aproveitamos para trocar os pneus da Hilux.

A fronteira abriu às 07:30hs e seguimos para Santa Helena e encontramos o grupo no Hotel Anaconda, foi quando tive uma noticia chata, o pessoal saiu no fim do dia para providenciar alguns suprimentos e ao retornar viram uns caras saindo correndo para um Cheroka e partindo em velocidade, ficaram desconfiado e foram ver os carros, foi quando descobriram que haviam furtado a barra de super-led da Hilux do Raul e certamente teriam levado outros acessórios se não tivessem chegado. O pessoal chamou a policia, registraram o ocorrido, mas no final ficou o prejuízo, uma barra dessa custa na faixa de R$ 2.000,00 e a certeza que os veículos não estão protegidos no Hotel Anaconda e que existem perigos na cidade.

Tudo resolvido e partimos para Serra do Sol, passamos pelas barreiras da policia venezuelana sem nenhum problema e chegamos ao acesso à estrada que nos levaria até Serra do Sol. Como sempre uma oração com o grupo de mãos dadas, algumas informações e partimos, a cerca de 400mts da Ladeira do Raul, antes de entrar na primeira matinha, minha Hilux começou a sair fumaça de fio queimado pelo ar-condicionado e parei imediatamente, desligamos a bateria e fomos atrás do motivo do curto que havia gerado aquela fumaça e descobri ser do comando do relê de um dos faróis extras, o fio positivo estava em contato com metal que cortou e gerou o curto, retirado o problema ai começamos a nos deslocar. 

Chegamos a Ladeira do Raul, aquela tensão, subi meu carro e  logo depois veio Raul a pé conversar comigo, me questionar se queria que eu colocasse a cinta e assegurasse assim a impossibilidade de vir a virar ou se lhe daria a chance de tentar novamente em sua Hilux. Logicamente que concordei que ele deveria tentar, afinal existia um trauma naquele lugar e seria necessário exorciza-lo e foi aquela festa assim que o Raul subiu, afinal ano passado ele capotara com seu Wrangler na mesma ladeira, finalizando assim sua aventura, mas como ele disse, perdeu o trauma e estava feliz, sim, eu também estava por ele e pelo sofrimento que foi ano passado presenciar o que aconteceu. Logo depois veio Leandro, subiu tranquilo, mas infelizmente o sistema de roda livre da Frontier é frágil e não aguentou o tranco do final da ladeira e quebrou, na verdade estourou o cubo completamente, subi o restante do pessoal e deixei Meia-foda sem subir, pois tinha que tomar algumas decisões.

Já estávamos sem o carro de Marcão e agora a Frontier, ambos carro de apoio, decidi que deveriam voltar em Santa Helena, Leandro, Meia-foda e Evandro e procurar a peça ou tentar ver uma solução, montamos acampamento, fiz uma carne picada e uns bifes na chapa, pessoal bebendo um pouco e aguardando o desenrolar do acontecido.

Já era cerca de 21:00hs quando o pessoal retornou de Santa Helena, Meia-foda, Leandro e Evandro dentro da L200, tinha pedido a Meia-foda que caso não consertasse a Frontier de Leandro não o deixasse voltar para Boa Vista e sim trouxesse ele que arrumaríamos um jeito de dividir as coisas e levar todos. Leandro estava depressivo, afinal não era para menos há dois anos que preparava seu carro para TAC, mas infelizmente Nissan não é um veículo muito comum na Venezuela e por isso não tinha a peça e retornar até Boa Vista iria atrasar muito a expedição, mas companheirismo é isso e com dois carros a menos, Ranger e Frontier e com algumas coisas para trás, mas os companheiros não, todos juntos e seguimos.

A noite foi longa, roncos e barulhos estranhos provenientes das barracas, como sempre uma sinfonia de assustar onça, embora aqui não tenhamos esse problema. A noite foi fria, às vezes o céu nublado, às vezes tão estrelado que dava vontade de que o Sol nunca mais saísse, a paz da noite só era interrompida pelos roncos estridentes, além de Leandro, Willy não fazia mais parte desse grupo, mas entrou o Zé Pequeno, 1,92 e 130kg de puro ronco e ainda um dos Cariocas que não fez feio na concorrência, Fabiano é bruto no ronco. Não estou exagerando, escutando pink Floyd no meu iPod ainda conseguia escutar algumas notas altas, como diz Matteo, esse pessoal é doente!!!

Acordamos cedo, acampamento é assim mesmo, oito da manhã todos prontos para partir e na primeira subida a L200 mostrou que estava pesada, transferi três bombonas de Diesel para minha Hilux, esvaziamos uma bombona de água e aliviou o peso da L200, e de contrapartida colocamos um nome naquela subida, Subida do Meia-Embreagem, já o Vitarinha vermelho, caixinha de tomate do Arthur, teve um probleminha, caíram os parafusos da pinça de freio, em pouco tempo foi resolvido e começamos nosso trajeto em direção a Serra do Sol. 

Raul estava muito feliz, afinal no ano anterior havia se acidentado e não conseguiu vivenciar toda a aventura, ficava maravilhado com o trajeto e com uma confiança cada vez maior em seu novo carro, afinal para quem possui nove veículos da marca Jeep e este era seu primeiro veículo Japonês, brincou dizendo que os amigos já o estavam excluindo do clube de Jeep do Peru. O pessoal do Rio estava acostumado com trilha de erosão e subidas, então estavam safo no trajeto, aproveitando bem a paisagem e colocando os Vitarinhas para moer. Os argentinos estavam eufóricos com toda a adrenalina do trajeto e com uma paisagem única, Guilhermo repetia que a expedição valia cada centavo e que estava encantado, olha que ainda tem muita coisa pela frente.

Para quem conhece o trajeto sabe o quanto é show andar aqui, erosões, subidas íngremes, descidas mais ainda, uma verdadeira aventura off road, para os novatos nesse tipo de terreno em muitos momentos o corpo treme de medo com o trajeto, para os veteranos, uma grande oportunidade de brincar com seus carros. Às 15:00hs chegamos na cachoeira do K e fomos curtir um banho de primeira e lá pelas 16:00hs subimos a cachoeira e montamos nosso acampamento a 20mts da beirada da queda da cachoeira, som da água caindo, vento frio e começamos mais uma noite de churrasco e muita conversa fiada. A noite fez frio, eu e Marcão dormimos de rede, amarradas entre a Hilux e a L200, como estavam praticamente uma colada na outra dividimos o edredom pra aguentar o frio, acho que não precisava ter comentado isso!

O dia amanheceu e começaram os trabalhos para organizar os carros, desarrumar as barracas, comer alguma coisa e partir, mas antes uma prece de frente à pequena capelinha de pedra que construíram há alguns dias, certamente algum venezuelano crente em Santa Maria fez aquela capela e colocou a imagem da Santa. Pela frente iriamos pegar alguns trechos travados, como a decida da pedreira a passagem do rio, além dos trechos perigosos como a ladeira do Japonês, particularmente considero o trecho mais perigoso dessa trilha, inclinação absurda e erosões que viram um carro e uma queda com mais de 50 metros de altura. Fomos aos poucos transpondo os obstáculos e curtindo uma paisagem única, que encanta a todos que vivenciam essa trilha. 

Cerca de 15:00hs chegamos na Tapera, que será nosso acampamento base nesses dias, descarregamos os carros, deixando-os mais leves e fomos tirar fotos dos veículos na Serra do Sol, ou até onde eles conseguem subir. A vista é deslumbrante de toda a Gran Sabana Venezuelana, da Serra do Sol e do Monte Roraima, só indo lá para ter ideia do que estou escrevendo. Ficamos um bom tempo contemplando toda àquela maravilhosa obra de arte da natureza. 

Voltamos para o acampamento, banho na cachoeira, preparação do farnel e conversa fiada entre todos do grupo e o frio começou a bater, pessoal começou a se deslocar para suas barracas, agora bem afastadas umas das outras, o que facilitou o sono de alguns devido a distancia dos roncos. Mais uma vez eu e Marcão nas redes, mas não próximos dessa vez, a madrugada nos castigou com frio, o pessoal nas barracas fechadas reclamaram, imagina na rede, pior que às 02:30hs começou uma chuva de vento, preguiça de montar a barraca peguei uma lona de plástico e cobri minha rede, Marcão mudou a dele de lugar e fugiu da chuva, deu pra bater queixo, só não foi pior porque fiquei com o edredom e Marcão estava de casaco de frio, mas ainda prefiro o frio, o calor pra dormir é pior!

O dia amanheceu bonito, o Monte Roraima estava descoberto, algo meio raro, tomamos café da manhã e pegamos nossos carros em direção ao Mirante do Monte Roraima, cerca de 13km de nosso acampamento, no meio de serras, subidas e descidas íngremes e cascalhadas e passagens estreitas de igarapés, uma belíssima trilha para o começo do dia, demoramos um pouco para achar a entrada da trilha, a descida de uma serra para um vale, afinal já havia alguns anos que não se passavam por esse caminho, mais um belíssimo trajeto que vale a pena  conhecer. 

No mirante tiramos fotos do grupo, dos carros, apreciamos aquela paisagem belíssima, como todas na trilha de Serra do Sol. Depois de alguns minutos iniciamos o retorno da trilha do Mirante do Monte Roraima e seguimos para a Cachoeira da Revista, para a famosa foto dos carros na parte superior da cachoeira. 

Ficamos um bom tempo, todos tomando banho na cachoeira, alguns escalando, outros bebendo e conversando e claro aproveitando o visual daquele lugar, foram ótimas horas de descontração. Aproveitamos o fim da tarde e fomos ver as lapides, formações rochosas que lembram lapides de cemitério, mais uma obra de arte da natureza. Pessoal cansado do dia e retornamos para o acampamento, organizar o lixo, recolocar o que havíamos retirado dos carros e deixando tudo preparado para poder partir no dia seguinte de volta a Santa Helena.

Meu planejamento era acampar novamente no Salto K, mas o pessoal do Rio e o Bruno de Mossoró estavam com uma transportadora em Boa Vista aguardando os carros para despacharem, então observei o andar do retorno para ver a possibilidade de seguir para Santa Helena direto.

Toda trilha na ida é mais travada, no retorno ela flui, ainda mais uma trilha com Serra do Sol, como na ida os que não conhecem o trajeto ficam deslumbrados e ao mesmo tempo tensos o andar é mais travado, já no retorno é bem mais rápido e quando vi já estávamos no Salto K e era cedo, cerca de 14:00hs e certamente chegaríamos até Santa Helena com luz do dia e resolvi seguir ao invés de acampar, para alegria dos cariocas, principalmente o Chico e tristeza dos Argentinos que adorariam acampar ali novamente. 

Subimos a Ladeira do Índio, outro desafio bem assustador para quem tem medo de altura e inclinações radicais, mas o pessoal já estava mais safo e tudo foi fluindo até a passagem de uma matinha onde um tronco preso no chão atrapalhou nosso dia perfeito.

Visualizei o tronco do lado esquerdo e avisei pelo rádio, inclusive com repetição em portunhol para Raul entender, mas infelizmente ele bateu com tudo e todo peso de sua Hilux no pequeno tronco e como consequência empenou a manga de eixo, braço de direção e abriu a roda ao tentar rodar até sair da matinha a caixa de direção foi pro espaço. Ai entra em ação nosso mecânico para Off Road e fria automotiva, Evandro Maia, mais tarimbado em 4x4 que qualquer outro meca, e ai conseguiu dar um jeitinho de voltar um pouco a roda e isolar a bomba do hidráulico para não ir pro saco de lixo também.

Mas ai a noitinha chegou, embora cedo, finalizamos o trajeto a noite, confesso que adoro fazer Off Road a noite, tenho me policiado para evitar, pessoal fica tenso e reclama um pouco, mas que eu gosto eu gosto, não vou mentir, e andar naquelas serras a noite é tudo de bom, além de ser belíssimo ver o comboio com os faróis iluminando o chão, o céu e as serras. 

Chegamos a Santa Helena e fomos jantar primeiro, depois acomodações, não deu pro grupo ficar em um único hotel, era fim de semana e muitos brasileiros vão fazer compras na cidade, mas dividimos o grupo em três hotéis e marcamos de nos despedir no dia seguinte, afinal estava finalizada a segunda fase da TAC 2015. 

No dia seguinte todos na pracinha para se despedirem, os cariocas e Bruno seguiriam para Boa Vista pegar um avião para Manaus e deixar seus carros na transportadora, eu iria com Raul ficar em Boa Vista para resolver o problema do carro dele, Marcão também para pegar seu carro e dia 23 a noite todos nos encontramos novamente em Manaus para mais uma despedida e quem ficou seguir para a Fase 03.

Considerações

Serra do Sol foi um trajeto que entrou no roteiro da TAC, embora não tenhamos lama, atoleiros e afins, que alguns definem como sendo a alma da TAC, mas eu defino como Alma da TAC a aventura Off Road em sim e Serra do Sol, como definimos esses trajeto pela Venezuela, é aventura pura, com mais adrenalina que muito trajetos anteriores da TAC, pois em vários momentos você põe em risco sua vida, e a confiança em seu equipamento tem de ser perfeita, afinal quebrar no meio da Serra do Sol é simplesmente um pesadelo inesquecível. 

Para quem não está acostumado com esse tipo de terreno é um grande aprendizado, você percebe nitidamente a evolução de quem está enfrentando pela primeira vez aquela situação de erosões e subidas íngremes, para os que já estão acostumados o importante é preservarem seus equipamentos, afinal embora estejam adaptados as trilhas desse nível, mas estas estão próximas de locais e  vias de socorro, bem diferente de quem está na Gran Sabana, então também é mais um aprendizado. 

Eu sou apaixonado por essa trilha, seja pelo desafio dela aos veículos e condutores ou o perigo que ela impõe para os que não a respeitam, mas principalmente pela beleza da paisagem desse trajeto, estar por quilômetros andando nas cristas das montanhas, subidas e descidas belíssimas e desafiadoras é realmente deslumbrante a passagem dessa trilha, além do fato de acampar no meio do nada com noites frias e estreladas, simplesmente é fantástico estar naquele lugar. 

Como esse ano o grupo foi pequeno, em comparação ao ano anterior, como disse dividi a TAC em três fases reduzindo assim a quantidade de participante por fase e dando a oportunidade de curtirem aquilo que mais apreciam, mas voltando ao grupo, tudo foi perfeito, todos os grupos eram participativos e brincalhões, todos interagiram perfeitamente e fizeram do trajeto um divertimento com conversas e zoeiras no rádio, todos estão de parabéns, entenderam como funciona a TAC e como funciona o trajeto de Serra do Sol, tudo foi perfeito, só tenho elogios ao grupo todo. 

quinta-feira, 12 de março de 2015

TAC 2015 - Transamazônica Challenge Fase 01

TAC 2015 - Fase 01 

Humaitá – Manaus

No sábado começamos a nos organizar para partir em direção a Manaus pela BR 319, estávamos esperando Guilhermo e Ricardo, argentinos que irão participar da Fase 02 (Serra do Sol), chegarem e partirmos. 

Logo cedo Sávio me chama informando que seu Troller, modelo novo com 8.400km, só engatava a Ré e o neutro e mesmo assim com dificuldade. Reboquei até a Sana, oficina em Humaitá que cuida de nossas viaturas, quando Mike, mecânico da oficina viu disse que nem sabia para onde ia, afinal era um modelo novo e nunca vira antes, começamos a organizar para chamar a seguradora e Sávio e seu zequinha, que ficou apelidado de “chupa cabra”, seguissem  em nossos carros e depois retornariam de avião, nesse meio tempo Sávio ligou para a autorizada Troller em BH, onde comprou seu carro e o chefe da oficina orientou retirar o painel do câmbio e verificar o trambulador. Quando abrimos verifiquei que o local do trambulador e da haste das marchas era uma piscina de lama seca, então observei que a haste não fazia os movimentos, limpamos o local e pronto, as marchas começaram a engatar, resumindo, um erro de projeto do Novo Troller, a lama que vai por baixo se acumula nessa piscina, endurece e pronto, temos um veículo sem poder passar marchas, esse era o segundo problema do Troller, visto que na ida a Lábrea o amortecedor de direção arrebentou e tivemos que retirar fora, além de que quando se buscou peças de reposição básicas como pastilhas de freio, correias, bieletas e buchas a autorizada não dispunha de absolutamente nenhuma delas para venda, e olha que foram vistos em vários concessionários da marca, fora isso o Novo Troller estava com excelente desenvoltura no Off Road. 

As horas foram passando, fechamos a conta no Hotel Correa e seguimos para a churrascaria almoçar, 16:00hs e nada dos Argentinos, voltamos para o Hotel, demos entrada novamente e meia hora depois os argentinos chegaram, segundo eles haviam sido colocados para fora da estrada três vezes por carretas e o transito estava intenso na estrada para Porto Velho, agora já era tarde, assamos carne e tomamos cerva para no dia seguinte pegar a 319.

Saindo para Manaus

Colocar o pessoal cedo para sair é sempre uma complicação, sempre existe atraso, eu trabalho com a folga de tempo, mas às vezes confesso que me estresso com isso, pior quando o atraso vem da equipe de apoio. Sai do Hotel cinco minutos depois do que estipulei, depois fomos ao posto, alguns precisavam comprar gelo e 07:30hs pegamos rumo da 319, meia hora atrasados, para desespero de Matteo, que com sua pontualidade fica nervoso com o atraso das pessoas.

Após nossa oração matinal pelo rádio começamos a gerar expectativas quanto ao caminho, pessoal buscando atoladores, mas nem sabiam o que teriam pela frente, nós da organização conhecemos de cabo a rabo aquela estrada, sabemos que algumas coisas podem mudar de uma chuva para outra e que as noticias eram de que a estrada estava boa, o que se mostrou verdade, pelo menos no começo,  mas a paisagem para quem já andou pelo 319 é única, imagine para quem está indo pela primeira vez. Até a Realidade, pequeno povoado, que a cada ano cresce mais e mais, foram 100km de tranquilidade, poucos buracos e muita conversa boa no rádio e expectativas em geral e muitas fotos da paisagem.

Depois da realidade encontramos alguns trechos lentos, buracos e também alguns atoladores, nessa Marcão inaugurou o dia e atolou, tiramos maior sarro com Marcão. Às 17:00hs paramos para acampar em uma das torres da Embratel ao longo do caminho da 319, parei cedo para poder organizar melhor o acampamento, já que normalmente só parava ao anoitecer o que comprometia um pouco a curtição do momento devido a fadiga do trajeto. Nesse dia foram 220km percorridos.

Embora tenhamos parado cedo à maioria estava com fome, já que não tivemos uma pausa para o almoço e por isso correram para armar suas tendas e barracas e fazerem sua janta, nesse meio tempo Eu e Meia-foda preparávamos o farnel da organização e de quem chegasse para se juntar ao churrasco. Uma macarronada com uma panelada de contra filé e frango foram a entrada, seguido de um churrascão de primeira com muita cerveja e pinga, noite a dentro de muita conversa, céu estrelado e muita emoção por partes dos que estavam pela primeira vez em suas vidas vivenciando uma experiência como aquela.

A noite foi longa na resenha de muitas histórias e musicas para acompanhar até que o cansaço derrubou o ultimo dos resistentes, então o som da euforia deu lugar aos sons da mata e dos trovões que anunciavam uma grande chuva se aproximando. Raios e trovões por algumas horas fizeram daquela noite um dia perfeito de acampamento, ao som de Simon e Garfunkel em meu iPod observava de minha rede o que me motivou a estar novamente aqui, vivenciar toda essa maravilha e fazer novas e grande amizades. 

A chuva passou, e o som que se escutava agora era a sinfonia dos roncos, alguns batiam recordes de decibéis, o dia amanheceu e como em um formigueiro iniciou o frenesi do acampamento, desmonta barraca, arruma carro, prepara o café da manhã, fotos, conversas, água fervendo, cuscuz com charque na turma do nordeste, filado pelos Argentinos, comida Peruana na barraca do Raul e Jessika, Macarrão pronto no pessoal do Rio, como dizia Marcão, o Edson (apelidado de Vovô Carioca), estava matando sua prole e seu amigo João com comida pronta.

Tudo pronto, carros arrumados, Torre limpa, lixo recolhido e simbora! Vamos seguir rumo aos próximos obstáculos. Ai começa uma sucessão de buracos, estrada acabada, mais muito bonita, deslumbrando quem passava ali pela primeira vez, ai tivemos alguns trechos com lama, atolada de Marcão novamente, Troller do Sávio e os Argentinos na Hilux e a estrada nada de render, além de perdermos um tempo desatolando, o pneu estepe da Triton de Jalisson se soltou do suporte no meio de um atoleiro, assim chegamos a uma torre cerca de 17:20hs, iria entrar pela noite, só tínhamos rodado 100km, ou seja, tínhamos ainda uns 250km até o asfalto de verdade. 

Então resolvemos acampar nessa torre, seria nossa segunda noite acampada, além disso, tínhamos a L200 de Meia-foda sem alternador, fim de bateria e morreu, então seria ali mesmo nosso pouso da noite. Para nossa sorte a torre estava habitada com dois funcionários da empresa de manutenção que nos receberam muito bem, com a vantagem de ter um poço com bomba para nos banharmos melhor e poder lavar o alternador da L200 e quem sabe assim voltava a funcionar. Fornecemos diesel e o gerador da iluminação ficou ligado até às 22:00hs.

A noite foi de mais um churrascão, carvão estava húmido, então após fazer minha panelada com Macarrão italiano fornecido pelo Matteo e Fred e misturado com meu picado especial de carne, fui assando as carnes na chapa do nosso fogão portátil. Cerveja, Campari, Pinga boa e pessoal se recolheu cedo, afinal cinco da manhã era o despertar para poder fazer o dia render.

Acordei de madrugada para urinar, passei pela tenda onde estavam Leandro, Willy e Meia-foda na rede e me perguntei como Meia aguentava aquela dupla de motores desregulados, Leandro e Willy, mais tarde soube que ele não aguentou e no meio da madruga acordou e montou sua barraca, encheu seu colchão e foi tentar dormir longe. As cinco da manha começou a movimentação do pessoal, Willy e Leandro roncavam como doentes, fizemos até filmagem, sinceramente não sei como é possível eles próprios dormirem com tamanha barulheira, às vezes quem está escutando pensa que estão morrendo, algo fora do comum, pelo menos espanta as onças.  

Movimento intenso, todos prontos para sair e dei uma carga na bateria da L200, uma entre várias no caminho até Manaus. Pegamos estrada, estávamos a 110km do Igapoaçu, 110 km de muitos, muitos buracos, alguns atoleiros e muitas pontes destruídas, oferecendo bastante perigo nas travessias. Marcão foi desafiado pelo Edson Bailune em sua Full e terminou atolando, foi uma zona só! Estrada cansativa, alguns atoleiros básicos, mas os buracos foram exaurindo nossas forças, cansaço e graças às preces estava nublado, pelo menos reduzia a sensação térmica dentro dos carros. E as horas foram passando e finalmente chegamos ao Igapoaçu, pegamos a balsa, reabastecemos os veículos com o diesel extra que levamos e seguimos para o Castanho, 150km de estrada boa, mesmo o trecho sem asfalto, como não choveu esses dias estava uma piçarra compactada, ai os veículos renderam a foram aos poucos se aproximando do Castanho. Uma pena, pois esse trecho com chuva é sempre de grande atoleiros e nos diverte. 

Na saída da balsa Matteo seguiu na frente, tinha uns compromissos em Manaus, inclusive trocar o parabrisa explodido pelo Leandro Osaminha, demais seguimos em comboio com a intenção de dormir no Castanho e na manhã seguinte lavar os carros para depois pegar a balsa em direção a Manaus. 

Todos acordaram cedo e foram lavar suas viaturas, tirar a lama, dar uma organizada, afinal os veículos que iriam continuar na Fase 02 precisavam ir para a oficina revisar e os que iriam embora serem deixados nas transportadoras. Saímos do Castanho cerca de meio-dia e o grupo se dividiu em duas balsas para Manaus, a de 14:00hs e a de 14:15hs, estava assim oficialmente finalizada a Fase 01 da TAC 2015.

Quando resolvi dividir este ano a TAC em três fases estava buscando oferecer três configurações diferentes como opção de Expedição, assim quem curte mais lama não precisaria enfrentar 30 dias ou mais de expedição, quem curte mais desafios de altura e erosões idem e quem quer curtir mata fechada e abertura de estradas também, ou seja, além de reduzir o tempo de uma forma geral para os que participam, reduziria assim o número de veículos por trecho, o que facilita e muito o deslocamento e a logística, e também a redução dos custos de quem participa. Não sei ainda como será até a finalização da TAC 2015, mas para a primeira fase foi acima do esperado, com a fluidez do grupo, evitando a fadiga dos participantes, já que para nós que estamos acostumados há passar mais tempo nesse ritmo é apenas mais uma grande aventura. Não sei se foi o grupo em si que era show, todos companheiros, brincalhões, sem frescuras e por ai vai, que fez com que não tivéssemos nenhum conflito, algo normal nessas expedições ao longo do percurso longo, ou essa formula de reduzir o tempo para os que participam, só sei que a Fase 01 foi perfeita, talvez faltado um pouco de lama em Lábrea, mas ninguém manda na natureza, mas com certeza foi proporcionado a todos visuais fantásticos, risos a mil e experiências únicas, resumindo, com a ajuda de Deus e de todos tudo ocorreu perfeitamente bem, sem nenhum incidente. Agradeço a todos os participantes por dias fantásticos e já com saudade de todos. Ano que vem, quem sabe reencontro essa turma. Obrigado amigos: Sávio e Reinaldo; Fred e Filipe; Edson e João; Jalisson e Galindo; Matteo e Carlo; Willy e Valdir, Zequinhas da organização que trabalharam com afinco e ajudaram muito, um agradecimento especial a Willy que estava sempre presente para ajudar os carros atolados ou avariados e a Valdir por além de ajudar estar sempre registrando tudo e fazendo seus comentários hilários para nos divertir, essa dupla foi show!!!

E vamos em frente para a Fase 02 com: Raul e Jessika; Guilhermo e Ricardo; os novos integrantes que estão chegando e claro nossa turma de sempre: Matheus (Meia-foda), Leandro e Marcão. Simbora que dia 15 caminhamos para Serra do Sol, Vamos que Vamos!!!

sábado, 7 de março de 2015

TAC 2015 - Uma Grande Aventura





 TAC 2015

Mais um ano e estou novamente no Norte do Brasil, mais precisamente em Humaitá – AM, para iniciar uma nova Expedição de aventura Off Road pelas estradas da região Norte, Transamazônica (BR 2030)  e Porto Velho - Manaus BR 319.

Após alguns dias e mais de 5.000km de deslocamento estou reunido com o grupo que irá fazer a TAC 2015 Fase 01, porque este ano resolvi dividir a TAC em três etapas ou fases, onde a primeira fase tem como roteiro muita lama e buraqueira entre Humaitá – Lábrea – Manaus.   

Para comemorar a chegada de todos e fazer uma reunião para que os participantes e a organização se conheça melhor nada mais indicado que um maravilhoso churrasco de Tambaqui com caldeirada preparados pelo amigo Luciano de Humaitá, que tem como profissão cozinhar e hobby ser enfermeiro. Rsrsrs!!!

No dia 03 de Março reunimos todos nós, organização, apoio e participantes na varanda do Hotel Correa, onde sempre ficamos em Humaitá, fizemos uns sorteios de brindes da Ironman4x4 e da Vonder ferramentas, distribuímos alguns brindes oferecidos por alguns participantes, comemos bastante peixe e nos preparamos para o dia seguinte.

TAC 2015 FASE 01 HUMAITÁ – LÁBREA – HUMAITÁ

Acordei um pouco desmotivado, na verdade não dormi tanto assim, no máximo umas três horas, como de costume nessas expedições, estava preocupado com o dia seguinte, afinal existem vários motivos para preocupação, mas o que me afligia eram as notícias que este ano choveu pouco, que a estrada estava em manutenção constante e que os caminhões estavam proibidos de andar no trecho, o que significava que a estrada estaria um tapete, ou seja, o contrario do que buscávamos, do que os participantes almejavam, atoleiros e dificuldades.


Saímos 9:30hs de Humaitá, algumas paradas para fotos oficiais das viaturas e asfalto novo até o trevo da 230 e 319, sabia que até o KM 100 a estrada estava um tapete, mas esperava pelo menos pegar toda a bagaceira dos últimos 2km antes da Balsa do Mucuí, então pegamos o rumo de Lábrea. 

Rádio meio parado, pouca conversa, mais o pessoal de apoio e organização falando, algumas brincadeiras e um pouco de tédio. No KM 84 paramos na fazenda do nosso amigo Isac, este nos ajudou em uma empreitada pela estrada de Lábrea no ano de 2012, uma grande aventura! Tomamos um café de primeira, Valdir Bufa (meu Zequinha/copiloto), deu umas voltas no Fusca do Isac e tirou fotos para dizer que chegou de Fusca, na verdade os grandes veículos dos primórdios da Transamazônica, Fuscas e Brasílias, devido à configuração do motor e uma chapa inteiriça no acoalho eram os carrinhos que surfavam na lama amazônica.  Pausa e feita e um pouco de expectativa, o Pai do Isac nos disse que a frente existiam alguns atoleiros.

Ao sairmos quem tinha roda livre manual foi acionar, neste momento a roda livre da L200 de Matheus, vulgo Meia-Foda, estava com a RL (roda livre) travada, primeiro problema mecânico da expedição, e ai montamos um aparato e em poucos segundos já tínhamos guarda-sol, esteira de lona no chão, jogo de chaves da Vonder sendo inaugurado, que por coincidência ou não! Quem havia ganhado tinha sido o Meia-Foda, ficamos desconfiados que o representante das ferramentas, Savio do Troller Novo, vulgo ET de Varginha, havia sabotado a RL do Meia durante a noite para fazer um merchandising com a marca de ferramenta, pois não parava de tirar fotos do acontecido dando ênfase a caixa de ferramentas. Após uma hora consegui resolver o problema, desmontamos o aparato, que a noite fora elogiado pelo Carioca Edson Bailune com o seguinte comentário “Pooorrra!!! Os caras em poucos segundo colocaram um tapete, caixa de ferramentas, estopas, guarda-sol, cerveja gelada na boca do chefe/mecânico e Puuuta que Pariuuuu, nunca vi tanta agilidade!!!”. Rsrsrs!
Alguns quilômetros sentido Lábrea e Jálisson, famoso JáJá inaugurou o dia e atolou sua Triton, primeira puxada e retirei a Triton, foi tudo tão ágil que o Zequinha Galindo, vulgo Galináceo (apelida dado por Marcão), nem teve tempo de tirar suas havaianas e colocar as botas, Valdir, vulgo Bufa colocou a cinta da Hilux e puxei, tudo bem, foi excesso de confiança, mas gerou alguma animação. Depois foi a vez de Leandro, tanto apresentar problemas mecânicos na tração dianteira como atolar. Depois foi Matteo, o italiano que está indo em sua quarta TAC, vulgo Fofinho! Mais um resgatado e a coisa começou a parecer que ira melhorar, porem fomos chegando próximo a balsa e fui desanimando, lembrava quanto sofrera em anos anteriores naquele Estreito da balsa e esse ano dava para passar de carro 4x4 com pneus ATs.

A beleza da travessia de balsa, que custou R$ 50,00 por carro, uma chuvinha fina e alguns minutos de descanso enquanto fazíamos a três travessias dos dez veículos relaxou um pouco a mente e seguimos em frente. Quando achava que não teríamos mais aventura naquela estrada, inclusive já tinha oficialmente me convencido que seria a ultima empreitada para Lábrea, vimos um Caminhão saindo de um imenso atoleiro, realmente estava bem feio, ali estávamos a 40km de Lábrea e após o caminhão sair escolhi o que visualmente me parecia a melhor opção e entrei, faltando menos de 10 metros para finalizar o atoleiro a Hilux ficou completamente atolada, queria colocar o guincho para sair de frente, mas o apoio resolveu puxar com guincho para trás, não adiantou afinal estava atolado e ai o apoio foi observar o outro lado da estrada, por baixo, dentro do mato, que estava relativamente firme e o Peruano Raul com sua Super-Hilux foi tentar atravessar e ficou, agora estávamos Eu, Raul e Leandro atolados, foi quando começamos o trabalho de guincho nas arvores do outro lado da estrada e comecei a sair, Raul usando seu guincho idem. Nesse meio tempo o louco do Marcão, vulgo Marcon Oncinha, deu uma de louco, como sempre, e saiu rasgando com a Ranger, quase virando por cima do carro de Raul e varou o atoleiro, um grande de um louco!

Com o carro de Marcon mais a frente coloquei meu guincho no ponto de apoio da Ranger e sai, usei a Hilux como ponto de apoio para o guincho de Leandro e ele saiu, depois todos começaram a passar pelo lado que veio o Raul, bastando vir com velocidade era possível passar, no outro lado, onde atolei juntamente com Leandro o risco de virar os carros era grande, no final somente Matteo e Meia-foda tiveram de ser puxados, mas isso devido ao desenho dos pneus que não permitiam tração suficiente para sair do buraco e subir para estrada. 

Varamos esse atoleiro, mas já passava das 19:00hs, já era noite quando puxei Meia-foda, comboio realinhado e seguimos contente com o fim do dia perfeito de trabalho em equipe, passamos por mais dois atoleiros, mas como já estávamos adrenados foi mais fácil de transpor sem atolar, porém não foram atoleiros fracos, apenas entramos com mais gás. Mesmo perto de Lábrea a estrada não rendia e as horas foram passando, ai chegamos à 10km de Lábrea e pegamos um resto de asfalto com crateras, 01:00h para andar 10km, cansaço e irritação com aquele tipo de buraco, mas pelo menos nos divertimos, menos mau! Chegamos a Lábrea depois dás 22:30hs, abastecer os carros, lavar algumas coisas, comer algo e descansar, afinal no dia seguinte após a foto oficial pegamos estrada de volta para Humaitá. 


TAC 2015 FASE 01 HUMAITÁ – LÁBREA – HUMAITÁ DIA 02

A ideia era tirarmos a foto oficial do grupo na Matriz de Lábrea às 10:00hs e depois seguir de volta para Humaitá, um atraso de praxe e saímos 10:50hs em direção ao KM 60 onde estava o atoleiro da fazenda do Atem, como choveu a noite imaginamos que estaria pior, após enfrentar novamente os 10KM de buracos em uma estrada que um dia estivera asfaltada, uma verdadeira Via-crúcis.

Grupo empolgado com o fim do dia anterior e com a aproximação do atoleiro pesado e assim seguimos de volta para Humaitá. Quando chegamos ao atoleiro o pessoal decidiu ver o desempenho das Pajerinhos Full e mandamo-las nas frentes, enfrentaram e vararam o atoleiro, seguido de Galindo pilotando a Triton de Jalisson, seguidos por mim com apenas tração na traseira, isso mesmo, antes de entrar no atoleiro acionei a 4x4 e a luz do painel acende, comecei a me deslocar e a mesma apagou, ai já estava entrando no atoleiro, só fiz acelerar e acionar o bloqueio das rodas traseiras, aliado ao desenho dos pneus que estava usando, extremamente agressivos, consegui a varar o grande atoleiro com tração apenas nas rodas traseiras. Depois veio Leandro e na sequencia o Troller novo do Savio e o Italiano Matteo no Troller, que atolou na entrada e depois no meio do atoleiro, nesse caso uso de guincho para poder sair. Depois veio Raul com sua Hilux e atolou, além do atoleiro está completamente esbagaçado os pneus do Troller de Matteo, da Hilux de Raul e da L200 de Meia-Foda eram MUDs, e para esse tipo de terreno mais indicado um pneus agressivo recapado.
Após retirar Matteo e Raul foi à vez de Meia-foda, mas devido ás condições do terreno seria impossível, por isso resolvemos que deveria seguir pelo caminho que fiz no dia anterior, ficaria mais fácil de puxarmos com o guincho. Na tentativa o carro quase tomba, por isso resolvi que deveria descer no charco e tentar sair por baixo, menos perigoso de virar o carro. A Nissan de Leandro foi puxar Meia com o guincho, visto que o da L200 estava inoperante, após sair foi a vez de Marcão, louco como sempre Marcão desceu acelerando até o fundo, passando por cima de tudo e todos e no final estava novamente do outro lado do atolador sem ficar, louco! Mas eficiente! Rsrsrsr!

Nesse meio tempo em que estávamos no atolador tentando retirar Matteo chegou um caminhão com guincho e se enfiou no meio do atoleiro, bateu ferro (uma haste de aço com ancora para poder fincar na lama e o guincho puxar o caminhão), ouve um pequeno incidente, umas das ancoras se perdeu ao caminhão passar por cima e um dos ajudantes disse que alguém do nosso grupo havia pego a haste, além de ser feita de um semi-eixo de caminhão, pesada e grande, ou seja impossível de ser roubada desapercebidamente, ninguém iria fazer tal coisa, inclusive um dos participantes perguntou se não gostariam de vender um. Passado esse incidente e após termos passado começou a chover forte, e tínhamos a noticias de que mais caminhões estavam a caminho, ou seja, criando enormes atoleiros para nos divertimos, já eu fiquei um pouco apreensivo, afinal estava apenas com tração no diferencial traseiro. 

No caminho para a Balsa alguns pequenos atoladores e muita chuva, perto da Balsa usei meu guincho para desatolar uma L200 que estava carregada com um motor de caminhão na caçamba e depois seguimos para a Balsa. Ao chegarmos veem um motoqueiro pedir para irmos desatolar a L200 novamente pois desistira de seguir viagem e queria retornar para o povoado onde se localiza a balsa e aguardar Sol no próximo dia. 

Na balsa fui na primeira leva de carros, a Hilux, duas Fulls e a Triton, subir até que não foi complicado em 4x2, mas sair da balsa na lama foi, terminei empurrando a balsa pro rio com a tração traseira ao descer a rampa, já que não tinha tração na frente ao encontrar o solo lamacento, depois conseguir subir a inclinação na lama foi mais complicado, o carro derrapava para a lateral do rio e tome giro no motor até conseguir firmar e subir. Ficamos aguardando o restante do grupo, nesse meio tempo pedi a Marcão para voltar e resgatar a L200, foi juntamente com o Savio e depois estávamos todos do outro lado, muitos atoladores pelo caminho e muita chuva e eu extremamente estressado por estar 4x2, uma coisa é certa, foi bem mais emocionante entrar num atoleiro forte e sem saber se conseguiria transpor. 

Após a balsa o trecho estava bem escorregadio e Marcão como sempre brincando de andar de lado e não deu outra, foi parar embaixo no barranco de cara com as arvores, por pouco não cai em um lago, o pessoal do Rio nas Pajeros Full resgataram o louco e melhor de tudo, tá registrado em câmera mais uma peripécia de Marcon!!!! 

Fomos avançando em direção a casa do nosso amigo Isac, pois pretendíamos acampar lá, se não iriamos chegar de madrugada em Humaitá, ai um atolador enorme e não consegui do trilha da esquerda pro trilho do meio e em seguida para o da direita, a noite tudo é mais complicado e sem 4x4 mais ainda. Atolei e Willy, que estava guiando a Nissan de Leandro pegou o trilho central e atolou ao meu lado. A Triton que vinha logo atrás voltou e pegou o trilha da direita, como eu havia instruído o pessoal, foi a frente servir de ancoragem para a Nissan sair no guincho e Savio me puxou para trás no guincho do Troller, enquanto isso o guincho da Nissan deu problema.
Savio puxou a Hilux para trás, com isso consegui pular os trilhos e acelerando forte fui mais a frente, depois Savio puxou a Nissan para trás e seguimos, mas ainda faltavam 40km até a fazenda de Isac. Chuva não parava, mais não era tão forte, mas deixava a estrada escorregadia e gostosa de andar a poucos quilômetros da fazenda paramos para um PipiStop quando Leandro jogou uma bombinha de fogos para trás, querendo assustar Galindo e Jalisson, porém não sabia que atrás estava o Troller de Matteo e a bomba caio no parabrisa do Troller e com isso fez um buraco, a sorte que o mesmo estava com película de segurança, se não poderia ter jogado estilhaço nos Italianos Matteo e Carlo, logicamente que foi uma brincadeira, e além disso Leandro achava que os outros carros tinham parado mais para trás. Uma fatalidade, que deixou Matteo e Leandro chateados, mas depois brincamos muito no rádio e de agora em diante Leandro é conhecido como Osaminha, uma alusão ao terrorista. Fogos confiscados e seguimos em frente para Isac. 

A chuva passou a ser torrencial o que impossibilitou de aramarmos as barracas e fazermos nosso churrasco, seria assim a noite inteira, comum nessa região, por isso decidimos seguir para o Hotel em Humaitá, uma vez que tínhamos essa opção, então seguimos debaixo de chuva por mais 75km, somente a 10km de Humaitá, já no asfalto é que a chuva parou. 

Já se passava da meia noite e chegamos a Humaitá, todos bem, viaturas quase 100% e descansar para no dia seguinte organizar e revisar os carros que precisam e se preparar para subir em direção a Manaus. 

Na sexta-feira fomos lavar as viaturas, reorganizar o que é preciso nos mantimentos e revisar os veículos, inclusive fui resolver o problema da tração, que descobri ser o interruptor de acionamento da 4x4 localizado na caixa de transferência, como não existia a solenoide no mercado fiz uma adaptação para acionar com um interruptor no painel, ficou perfeito! Consertamos o guincho da Nissan de Leandro e da L200 de Meia, todos prontos para no dia seguinte seguir com a expedição, apenas aguardávamos a chegada de Guilhermo e seus amigos, que estão vindo da Argentina para participar da segunda etapa da TAC 2015.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

TRANSAMAZÔNICA CHALLENGE 2015 - TAC 2015

SORTEIO PRODUTOS POWER OFFROAD NA #TAC2015



Pessoal, para concorrer basta ir deixando a seguinte frase: "Eu quero um produto Power OffRoad", os que não possuem facebook enviem a frase para o seguinte e.mail sergio4x4@br.inter.net

O Sorteio será realizado no sábado dia 21/02 de alguns super produtos da linha Power OffRoad e você receberá em casa juntamente com um super adesivo!!!

Lembrando que você só pode concorrer uma vez é preciso ter curtido a página TAC 2015 - Holanda4x4 e a pagina da Power OffRoad no facebook. 

Quem vai acompanhar a #TAC2015 é só estar atento que toda vez que a internet permitir será postado aqui no Holanda4x4 e no Blog Sérgio Holanda (sergioholanda.blogspot.com.br).  

VQV e comecem a concorrer!!! 

Sérgio Holanda 

TRANSAMAZÔNICA CHALLENGE 2011

Correio Técnico...

Tem alguma dúvida? Quer saber sobre algum assunto 4x4?
Mande um e.mail para: duvidas@transamazonicachallenge.com.br